Em 2024, o Rio Grande do Sul registrou 37.004 afastamentos do trabalho devido a transtornos mentais, conforme dados do Ministério da Previdência Social. Desse total, 48% foram decorrentes de diagnósticos de depressão e ansiedade. Proporcionalmente, o estado apresenta um dos maiores índices de afastamentos relacionados à saúde mental no país.
Especialistas apontam que as enchentes ocorridas entre abril e maio de 2024 tiveram um papel significativo nesse aumento. As chuvas intensas, associadas ao fenômeno El Niño e à insuficiência de infraestrutura de drenagem, resultaram em cheias devastadoras que afetaram diversas regiões do estado. Essas enchentes causaram deslocamentos populacionais, destruição de infraestruturas e perdas econômicas substanciais, contribuindo para o agravamento de problemas de saúde mental entre os trabalhadores. 
Além disso, a pandemia de COVID-19 e suas consequências econômicas e sociais também influenciaram o aumento dos afastamentos por transtornos mentais. Fatores como luto, estresse emocional, insegurança financeira e mudanças nas relações de trabalho contribuíram para o crescimento desses índices. 
Diante desse cenário, torna-se essencial que empresas e instituições adotem medidas de prevenção e promoção da saúde mental no ambiente de trabalho. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) exige que as organizações analisem a saúde mental dos funcionários e implementem ações para prevenir situações de assédio e violência no trabalho. 
O Rio Grande do Sul enfrenta o desafio de reconstruir as áreas afetadas pelas enchentes e, simultaneamente, implementar políticas públicas eficazes que promovam o bem-estar psicológico da população trabalhadora. Investir em infraestrutura resiliente e em programas de apoio psicológico é fundamental para mitigar os impactos de eventos climáticos extremos e garantir a saúde integral dos cidadãos.